‘Pro-Choice’

Ser ‘pró-escolha’ é uma monstruosidade nascida da miopia espiritual.

 

Nenhum filho é uma escolha, nada na paternidade e ainda mais na maternidade é uma questão de ‘escolha’. Aliás, devem ser os eventos humanos mais imunes a qualquer redução a escolhas. A mentalidade que se rege moralmente pela concepção da ‘escolha’ é abstrata, individualista e monstruosa.

É abstrata porque a escolha só se instancia a partir de perspectivas isônomas, de consciências não dominadas por qualquer condicionamento social, psíquico, econômico. Isso não existe. Toda a nossa vida mental e espiritual é condicionada por uma série de elementos estruturais, a economia, a sociedade, a ideologia. Não existem escolhas livres reais, ainda mais para as classes baixas, onde estão as clientes mais frequentes de clínicas de aborto. E se não existem escolhas livres para essas mulheres que vivem em tal estado de penúria social e existencial, é porque elas simplesmente não tem escolha, na grande maioria das vezes.

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Um filho, como praticamente tudo do nosso mundo pós-Queda e condicionado infinitamente, não é uma escolha. Um filho é um milagre recebido do alto, algo ‘tradicionado’, um dom divino que exige nossa resposta imediata. Vamos acolher esse dom ou rejeitá-lo? Frequentemente essa resposta não vem nunca de uma escolha, ela vem de uma miríade de situações, eventos, momentos críticos de enfrentamento consciente de estruturas injustas, padrões e narrativas deturpados, e alienações, torturas, sofrimento. Não é fácil.

E nenhuma escolha se faz sozinha, moças. Vocês são responsáveis por tudo e por todos, diante de Deus. Não falo do seu marido. Falo de sua família, que até sua gravidez foi a principal responsável tanto pelas suas misérias sociogenéticas quanto pelos mais preciosos ensinamentos ‘tradicionados’. Falo do compartilhamento de experiências ‘tradicionadas’ pelos seus amigos e colegas de trabalho, escola etc. Falo da responsabilidade de aceitar o legado ‘tradicionado’ pela sociedade, desenvolvê-lo maior, mais amplo, mais enriquecido.

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Isso não é uma escolha, é algo muito mais fundamental que uma escolha supostamente livre, isônoma, diante de alternativas igualmente válidas. É a vivência de crises, de cruzes existenciais, do peso imenso da história e de dons tradicionados, entregues pelos ancestrais. É suportar a dor imensa de estruturas seculares de opressão, violência, que não podem ser desbaratadas com discursos abstratos sobre a liberdade e dignidade humanas, desconstrução, empoderamento.

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Quando se vem frente a frente com mulheres reais, em estruturas sociais reais, em situações concretas, últimas, fundamentais, nossos abortistas não sabem o que fazer. Não sabem o que é um rosto. Não conhecem uma pessoa real. Elas ficam perdidas.

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