O massacre dos inocentes

Eu já falei muitas vezes que entre aqueles que defendem a descriminalização do aborto (pro-choice) e os que são contra (pro-life) não existe muita diferença. A raiva que manifestam, principalmente um contra o outro, o ódio argumentativo que alimentam, a militância tóxica em torno disso. Tudo isso é muito pecaminoso, apaixonado. Não é a forma correta de se aproximar do assunto.

O aborto é uma questão fundamental, é uma manifestação de uma das questões mais centrais e ‘últimas’ da vida humana: trata-se da vida, da própria vida. Conceituar a vida não é o que está em jogo, delimitá-la etaria e cronologicamente. Esses debates antropológicos encerram questões antropológicas profundas que estão no cerne do embate entre uma visão tradicional do homem e uma visão moderna, um embate que vai muito além do que conservadores e progressistas costumam apresentar.

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Em primeiro lugar, o que leva abortistas a se colocarem do lado de um ‘direito de escolha’, que é uma coisa tão monstruosa, é o seu ‘cuidado’ pela liberdade da mulher, pela sua autodeterminação como sujeito livre, independente de todas as opressões econômicas, sociais, de gênero, patriarcais. A ideia é que a mulher não pode viver segundo narrativas e padrões culturais e comportamentais definidos por culturas e visões de mundo patriarcais, e isto inclui uma redefinição do papel social da mulher, bem como da própria maternidade.

Vocês percebem o cancro? Toda essa narrativa de opressão, desconstrução de personalidade que ignora as relações sociobiológicas mais naturais entre a mãe e seus filhos, o questionamento de autoridade é essencialmente uma postura pós-moderna. Mas ela, antes de ser pós-moderna, é liberal, porque os maiores absurdos cognitivos e intelectuais só são cometidos na defesa da liberdade a autodeterminação da mulher como sujeito, um direito individual.

O abortismo é uma ideologia ou produto ideológico eminentemente liberal.

Nasce das definições liberais sobre papeis sociais.

Nasce da obsessão liberal com direitos individuais.

Está estritamente ligada a uma concepção abstrata de liberdade e de individualidade.

Sendo abstrata, essa concepção não lida com seres humanos reais, com mulheres reais, com histórias e pessoas reais, mas com números, dados, estatísticas, com uma ideia abstrata, conceptualizada da história real do sofrimento feminino. E o faz, galvanizado da culpa que poderia sentir pelo assassinato de inocentes que promove, afinal está do lado da ‘justiça’, do ‘empoderamento da mulher’, da desconstrução de padrões cognitivos e comportamentais patriarcais.

Ou seja, essa monstruosidade se galvaniza do reconhecimento que é monstruoso porque se aliena da realidade com construções mentais abstratas, estas, por sua vez, produtos de uma antropologia e de toda uma visão de mundo modernas, antitradicionais, que negam os dados ‘tradicionados’ das experiências sociais ancestrais, em nome de um futuro idilíco, paradisíaco, mas divorciado de qualquer encontro verdadeiro, de qualquer rosto.

O abortismo pode matar crianças sem ter autoconsciência disso porque ele não lida com seres humanos reais. Ele lida com indivíduos, não com pessoas. Ele é individualista, não hipostático.

Por isso ele mata sem culpa.

Por isso não os julguem tão severamente, não os condenem, eles são tão vítimas da delusão espiritual que é tão característica da mentalidade liberal e individualista da nossa sociedade irresponsável, manipulativa, satânica. Rezemos por eles, pois não sabem o que fazem.

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