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Terirem é uma palavra sem sentido no grego, ambiente em que é particularmente utilizada. Tem certas funções composicionais dentro da música bizantina tradicional mas seu significado simbólico é muito mais profundo: ele não tem sentido por ser uma palavra-símbolo da linguagem angélica, um idioma sem sons, por ser incorpóreo, uma língua noética, espiritual, onde a palavra se manifesta diretamente, sem a mediação de uma linguagem e condicionantes linguísticos.

Ela é uma palavra-símbolo do apofaticismo da teologia oriental, a concepção teológica caracteristicamente ortodoxa de Deus como uma Presença totalizante, englobante, que não se reduz jamais a um Ser, mesmo a um Ser-causa, um Ser Supremo e Absoluto. A linguagem do Ser já se refere ao mundo dos objetos, a um mundo criado e estabelecido para que tenhamos relação com ele, um mundo estabelecido por Deus, que o transcende em Sua essência (ousia) mas que está integralmente presente nele pelas Suas energias (energeia). Absolutamente transcendente, totalmente imanente.

Como um espaço para reflexão de temas culturais, religiosos, sociais e políticos nasce esse blog. Terirem, como palavra símbolo das realidades divinas, apofáticas, misteriosas, inaproximáveis pela razão e conceptualização, é o nome perfeito para esse blog. Minha experiência com Deus foi igualmente transcendente, de abalar todos os meus alicerces emocionais e pessoais, mas, ainda assim, extremamente concreta, real e viva. Essa relação entre um Deus que transcende totalmente o discurso, que Se recusa a Se deixar capturar por esquematismos jurídicos e armadilhas linguísticas, por planos racionais e metafísicos, com uma Presença tão direta, tão real, está no cerne de toda vida espiritual ortodoxa e de sua teologia. Com tal inspiração, todos os mais variados assuntos tratados nesse blog terão por referência máxima a Sagrada Tradição da Igreja Ortodoxa e os ensinamentos de seus Santos Padres, referência vivida nessa tensão harmônica entre transcendência e imanência.

Ele nasce da constatação do fato de que o facebook talvez tenha ficado muito pequeno, restrito e, principalmente, disperso para uma narrativa duradoura dos embates que essa alma trava contra suas paixões e as armadilhas culturais e sociais de seu tempo, de sua sociedade. Essa alma constata também que talvez tenha deixado de tentar fugir da Presença Daquele que a tudo abarca, envolve e transcende. Como o profeta Jonas, ela se recusa a virar as costas para Deus depois de tantas provações. De se negar a constatar as demonstrações mais claras, óbvias e terríveis de Seu poder. É uma etapa no processo da minha cura espiritual. Talvez ela ajude também você, alma que me lê, a parar de fugir e se tornar atenta ao realmente necessário, e sempre Presente.

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