A geração que está cagando para tudo

Esse texto revela bem a essência dos conflitos de gerações modernas que temos presenciado há algumas décadas, e se intensificando nessa nossa década sem vida.
O problema é que procuram o problema no lugar errado. O problema não está na geração y, mas no problema civilizacional inteiro de um século inteiro que se pautou pela quebra de paradigmas e protocolos sociais. A geração x é ainda mais problemática, e a geração v já estava descendo ladeira abaixo no quesito identidade.
Não há bons prognósticos. A geração y é a pior que existe porque é a mais recente, e não há sinais de melhora. Quando mais ‘inovadora’ e ‘identitária’ é uma geração moderna mais vazia e sem identidade ela é. Quanto mais ela é obcecada por identidade, menos substância essa identidade tem. É falsa, é construída. Em vez de ser um veículo de originalidade, transmissão de vida, manifestação de espírito, é algo que se crê construído, que se pode desconstruir, explorar, manipular, controlar.
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Essa geração não tem identidade alguma exatamente porque crê que pode construir alguma identidade, porque ‘pode’, porque é arrogante o suficiente para se arrogar tal poder, e às custas dos sacrifícios das gerações passadas. Colhem sem terem plantado nada. O que construíram de duradouro, o que fazem de útil? Não tem identidade porque querem criar o incriado. Identidade não se cria, não se forma, é algo dado, simplesmente se tem, só o que se pode fazer é desenvolver o que se recebe. Identidade é basicamente algo que se recebe (tradere, traditio) e se desenvolve (tradição).
A identidade que as últimas gerações tem construído é um fantasma, é a ausência de qualquer identidade porque toda identidade foi gradualmente destruída por eles em suas guerras culturais. Essa geração atual chora como a geração de 60, mas não por ressaca de batalhas perdidas, mas por tédio, por não ter o que construir, por ter uma tabula rasa, uma ‘wasteland’ de T.S. Elliot. Esse é o deserto da pós-modernidade.
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É o que é esse post: um rage injustificado cheio de ódio contra a geração de seus pais, contra seus próprios pais. É Freud novamente, a revolução que se opera na luta dos filhos matando os pais.
É um ódio contra a tradição, e contra o sentido simbólico das críticas familiares. Nem UMA única preocupação com o fator da crítica como uma forma de autocrítica reflexiva, de amor e ternura que se revela no insulto. Claro que há muito problema mal resolvido, mas há também muita sabedoria de lutas passadas. Claro que há muitos fantasmas a serem exorcizados, mas essa é a diferença entre x e y. X tem fantasmas, x sofre, x tentou, lutou. Os fantasmas e sofrimentos de y não são seus, ele tem a responsabilidade imensa de aprofundar a descida de x ao abismo, ou frear essa descida e buscar caminhos alternativos.
Mas ele não faz nem uma coisa nem outra. Ele simplesmente não faz. Não faz nada. Porque é impotente, fraco, covarde. E principalmente esquizofrênico, infantil.
Pior que negar a tradição familiar, o amor filial, o simbolismo envolvido nessas trocas de gerações é o ódio concentrado contra toda uma geração que criou esse mundo cômodo, apesar das dificuldades. As ‘conquistas’ de y são desdobramentos das de x, e se isso, que é o que a tradição realmente é, nem x conseguiu compreender, y não compreenderá. Morrerá de fome, inanição, se suicidará. Porque não há vida nessa geração.
Não deem tanto destaque à noção hedonista, individualista de liberdade da autora. Isso é só a ponta do iceberg de um longo processo de deterioração mental de toda uma civilização, declínio cultural, espiritual. É esse o horizonte dessa geração: pequeno-burguês, consumista, ninfomaníaco, limitado, decadente.
Gostaria de ser um pouco mais otimista, ou pelo menos de ter usado palavras menos duras. O problema é que sou tão parte da geração y quanto essas crianças e a verdade é que é impossível se divorciar emocionalmente dessa realidade de gerações e seus embates. Está entranhadas na nossa carne e nos nossos corações, é-nos inescapável e mesmo trágica. Eu também sou filho dessa geração, desses medos, desse tédio, dessa agitação e ativismo estéreis. Que fazer? Nossos medos são os mesmos.
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